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A discussão sobre o fim da jornada 6 por 1 ganhou um novo capítulo de tensão em Brasília nesta semana. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, anunciou o deputado Paulo Azi, do União Brasil, como relator da proposta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). No entanto, essa escolha gerou um desconforto imediato no Palácio do Planalto. Afinal, o governo federal enxerga essa pauta como uma prioridade estratégica para o ano eleitoral.
Paulo Azi é considerado um parlamentar de oposição ao governo Lula. Além disso, ele é um rival político direto do ministro da Casa Civil, Rui Costa, em seu estado de origem, a Bahia. Consequentemente, a base governista teme que a tramitação sofra entraves logo no início. Por outro lado, Hugo Motta tenta atuar como bombeiro nessa crise institucional. O objetivo é evitar que a disputa política paralise uma pauta de grande apelo popular.
A indicação de um nome ligado à oposição para um tema tão sensível surpreendeu muitos articuladores políticos. De fato, o União Brasil é um partido que oscila entre o governo e a independência. Nesse sentido, a legenda já sinalizou, em momentos anteriores, intenções de derrotar a mudança na escala de trabalho. Portanto, a escolha de Azi foi vista como um sinal de alerta para os governistas.
Apesar disso, aliados de Hugo Motta defendem a decisão. Segundo eles, Paulo Azi teve um perfil moderado quando presidiu a própria CCJ anteriormente. Ou seja, ele teria condições de dialogar tanto com a oposição quanto com a base. Ainda assim, o governo federal preferia um nome mais alinhado para garantir celeridade ao fim da jornada 6 por 1.
Diante do mal-estar gerado, o presidente da Câmara buscou acalmar os ânimos no Planalto. Hugo Motta indicou a auxiliares do presidente Lula que a negociação ainda está aberta. Dessa forma, ele prometeu que a relatoria na próxima etapa, a comissão especial, poderá ser discutida com o governo. Essa manobra visa garantir que o texto passe pela CCJ sem grandes traumas.
Contudo, o governo permanece em alerta. A estratégia do Planalto é transformar a redução da jornada em uma bandeira de campanha para a reeleição. Por isso, perder o controle da narrativa no Congresso seria desastroso. Em contrapartida, ministros próximos a Lula tentam minimizar a situação. Eles argumentam que a CCJ analisa apenas a admissibilidade, e não o mérito da proposta.
É importante ressaltar que a função da CCJ é técnica, analisando se a PEC fere a Constituição. Nesse cenário, o mérito da jornada 6 por 1 não será alterado nesta fase inicial. Um ministro com assento no Palácio do Planalto afirmou que, se o texto passar pela admissibilidade, a batalha real ocorrerá depois. Consequentemente, a indicação de um relator conservador agora pode não ser fatal para o projeto.
Além disso, o rito legislativo exige a criação de uma comissão especial após a aprovação na CCJ. É nesse momento que debates com trabalhadores e setor produtivo acontecem. Portanto, a promessa de Hugo Motta de negociar o relator dessa segunda fase é crucial. Isso daria ao governo uma chance de recuperar o protagonismo na discussão do texto final.
Enquanto o governo se preocupa com a relatoria, a oposição também enfrenta dilemas internos. O Partido Liberal (PL), por exemplo, ainda não fechou questão sobre o tema. Valdemar Costa Neto chegou a dizer que tentaria barrar a PEC. Todavia, deputados da legenda sabem que é um ano eleitoral. Opor-se abertamente ao fim da jornada 6 por 1 pode ter um custo político alto nas urnas.
Dessa maneira, há uma cautela entre os parlamentares de direita. Eles evitam um confronto direto com a classe trabalhadora. Por outro lado, o setor produtivo pressiona contra a mudança, alegando custos elevados. Assim, o Congresso se vê dividido entre a pressão popular e o lobby empresarial. O resultado dessa equação definirá o futuro da proposta.
O calendário para a votação já está sendo desenhado nos bastidores. A expectativa é que, após a análise na CCJ, a comissão especial seja instalada rapidamente. Hugo Motta tem o desejo de levar a matéria ao plenário em maio. A data seria simbólica, coincidindo com o Dia do Trabalhador. Para isso acontecer, no entanto, o acordo costurado com o governo precisa se manter firme.
Finalmente, a proposta ainda terá um longo caminho, passando pelo Senado após a Câmara. A jornada 6 por 1 continua sendo um dos temas mais quentes do ano. Seja como for, a atuação de Paulo Azi na CCJ será o primeiro grande teste para a viabilidade dessa mudança histórica nas relações de trabalho no Brasil.