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O Brasil se despede de uma das vozes mais marcantes da música popular com a partida do cantor Netinho. Aos 60 anos, o cantor Netinho faleceu em Salvador após enfrentar complicações decorrentes de um câncer. O artista estava internado na capital baiana desde o fim de agosto. Contudo, seu quadro clínico se agravou recentemente.
A confirmação da morte gerou profunda comoção entre fãs e artistas. Além disso, o meio cultural relembrou sua contribuição histórica para o Axé Music. O velório e a cerimônia de cremação ocorrerão de maneira reservada nesta quarta-feira. Consequentemente, apenas familiares e amigos próximos participarão da despedida íntima. Ele deixa uma filha de 26 anos.
Em março de 2025, o cantor Netinho recebeu o diagnóstico de linfoma não-Hodgkin. Essa doença atinge o sistema linfático, responsável pelas defesas do organismo. O problema começou a ser investigado após o músico sentir fortes dores nas costas. Imediatamente, ele iniciou os protocolos médicos adequados para conter a enfermidade.
Apesar da gravidade, o cantor Netinho manteve uma postura serena perante seus fãs nas redes sociais. Ele compartilhava atualizações de sua rotina de quimioterapia. No ano passado, exames preliminares indicaram remissão completa das células cancerígenas. No entanto, no último mês de maio, a doença retornou durante a investigação de um problema renal. Por causa disso, ele precisou voltar ao hospital para novos procedimentos terapêuticos.
No passado, o cantor Netinho já havia superado episódios clínicos severos. Em 2013, o artista sofreu três acidentes vasculares cerebrais. Consequentemente, precisou passar por delicadas cirurgias no crânio. Na ocasião, médicos constataram tumores benignos no fígado em decorrência do uso prévio de anabolizantes.
Por causa dessas complicações, o artista permaneceu cerca de cinco anos longe dos palcos. Todavia, sua força de vontade possibilitou um retorno triunfal às apresentações ao vivo. Ele sempre afirmava que o carinho popular era seu maior remédio. Dessa maneira, ele transformou desafios pessoais em mensagens constantes de superação e esperança.
Nascido no Recôncavo Baiano, o cantor Netinho começou a trilhar sua trajetória artística ainda jovem. Na certidão, ele se chamava Ernesto de Souza Andrade Júnior. Inicialmente, prestou vestibular e passou para engenharia civil em Salvador. Contudo, a paixão pelos acordes musicais falou mais alto em sua juventude.
Ainda na adolescência, ele começou a cantar em bares locais. Pouco depois, em 1988, ele assumiu o comando da Banda Beijo durante o Carnaval baiano. Com efeito, a canção “Beijo na Boca” virou febre imediata em todo o país. Essa projeção impulsionou sua decisão de ingressar em carreira solo cinco anos depois. Assim, ele consolidou um espaço único no cancioneiro nacional.
Foi no início da década de 1990 que o cantor Netinho levou a energia baiana para o Sudeste. Em 1992, ele desfilou com um trio elétrico na praia de Copacabana. Foi a primeira vez que a orla carioca recebeu essa estrutura móvel. Portanto, esse evento abriu as portas do mercado nacional para o gênero baiano.
Além de subir nos palcos, o cantor Netinho atuou nos bastidores do mercado fonográfico. Ele fundou um estúdio no Rio de Janeiro que recebeu astros consagrados. Por lá, passaram gigantes da MPB como Gilberto Gil e Maria Bethânia. Com isso, ele provou sua versatilidade e compromisso contínuo com a produção sonora brasileira.
Com o megassucesso “Mila”, lançado em 1996, o cantor Netinho quebrou recordes de execução nas rádios. A música cruzou oceanos e alcançou públicos de diversas nacionalidades. Dessa forma, ela se tornou um dos hinos atemporais da música brasileira.
Mesmo após décadas de lançamento, os versos da faixa continuam presentes nas comemorações populares. Por outro lado, o repertório do artista reunia dezenas de outros sucessos contagiantes. Sua voz doce e potente imprimia uma identidade inconfundível aos arranjos percussivos. Em suma, seu trabalho ajudou a moldar a sonoridade festiva dos anos 1990.
Diversos colegas de profissão prestaram homenagens públicas e destacaram a generosidade do cantor Netinho. A cantora Sara Jane chamou o amigo de grande guerreiro nas redes sociais. Da mesma forma, Bell Marques ressaltou a coragem inspiradora do parceiro de trios elétricos. Já Claudia Leitte enviou condolências e desejou paz aos familiares enlutados.
O cantor D’Black, que dividiu produções e palcos com o baiano, relembrou momentos especiais da convivência. Segundo ele, o músico tinha o dom singular de levar alegria às pessoas ao redor. A própria Banda Beijo utilizou seus canais oficiais para celebrar a história de seu primeiro líder vocal. Assim, o país se despede de um talento memorável que deixou sua assinatura definitiva na cultura popular.