A aguardada justiça Marielle Franco começou finalmente a ser concretizada nesta semana histórica para o judiciário brasileiro. De fato, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão a 76 anos e 3 meses de prisão cada um. Esse veredito encerra um ciclo de impunidade que durou oito anos e, consequentemente, expôs as entranhas da infiltração do crime organizado no Estado. Além disso, a decisão marca um momento crucial de resposta institucional à violência política que assola o Rio de Janeiro.
Nesse sentido, o julgamento não apenas puniu os mandantes, mas também revelou a complexa teia de corrupção policial. Por outro lado, o cenário político nacional permanece em ebulição com novos desdobramentos em Brasília. Enquanto o STF agia, a CPI do crime organizado aprovou convocações de alto calão, incluindo familiares de ministros. Portanto, o dia foi marcado por uma intensa movimentação que conecta a segurança pública aos corredores do poder em Brasília.
Penas severas e perda de cargos públicos
O tribunal aplicou sentenças exemplares aos envolvidos no atentado. Imediatamente após a decisão, ficou estabelecido que Domingos Brazão perderá seu cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Rio. Da mesma forma, Chiquinho Brazão, que é deputado federal, também enfrenta a dura realidade da condenação. Além deles, o ex-chefe da Polícia Civil, Rivaldo Barbosa, foi condenado a 18 anos de prisão. Contudo, é importante notar que Rivaldo foi condenado por obstrução de justiça e corrupção passiva, mas absolvido da acusação de homicídio por falta de provas cabais naquele quesito específico.
Em contrapartida, os executores e articuladores diretos receberam penas máximas. O major Ronald Pereira, por exemplo, foi sentenciado a 56 anos de reclusão. Ou seja, a justiça alcançou diferentes níveis da hierarquia criminosa. Ademais, o STF determinou o pagamento de indenizações que somam milhões de reais aos familiares das vítimas. Fernanda Chaves, a assessora que sobreviveu ao atentado, também será indenizada. Dessa forma, busca-se uma reparação financeira, ainda que a dor da perda seja, indubitavelmente, irreparável.
Motivação política e o voto dos ministros
Durante o julgamento, ficou evidente a natureza política e econômica do crime. Segundo o relator, ministro Alexandre de Moraes, o grupo criminoso explorava o mercado imobiliário irregular através da grilagem e da ação de milícias. Consequentemente, a atuação da vereadora Marielle Franco tornou-se um obstáculo aos lucros do clã Brazão. Moraes enfatizou que o crime foi motivado por divergências políticas somadas à misoginia e ao racismo. Afinal, para os criminosos, Marielle era vista como um alvo “descartável” por ser mulher, negra e periférica.
Por sua vez, a ministra Cármen Lúcia proferiu um voto emocionado e contundente. Ela afirmou que o assassinato de um filho equivale a “arrancar a alma de um ser humano sem lhe rasgar as carnes”. Nesse contexto, a justiça Marielle Franco serve como um recado direto àqueles que acreditam na impunidade. O ministro Flávio Dino também reforçou a gravidade do ato, descrevendo-o como um símbolo profundo de dor. Portanto, a unanimidade na condenação reflete o repúdio da corte máxima do país a esse tipo de barbárie.
Repercussão entre familiares e autoridades
A conclusão do julgamento trouxe um misto de alívio e emoção para as famílias. Marinete da Silva, mãe da vereadora, sentiu-se mal durante a leitura dos detalhes, mas afirmou posteriormente que a decisão traz paz. Simultaneamente, a ministra da Igualdade Racial, Aniele Franco, declarou que a sentença é uma resposta à parcela da sociedade que debochou da morte de sua irmã. Segundo ela, a violência política de gênero e raça precisa ser aniquilada para que outras mulheres possam ocupar espaços de poder com segurança.
Além disso, as viúvas de Marielle e Anderson Gomes receberão as indenizações estipuladas. Todavia, a família alerta que a luta não termina aqui, pois ainda há júris populares por vir. Ainda assim, a sensação predominante é de dever cumprido por parte das instituições. De fato, a condenação dos mandantes poderosos quebra um paradigma histórico de proteção a agentes políticos envolvidos com o crime no Rio de Janeiro. Assim sendo, a memória de Marielle e Anderson sai fortalecida deste processo doloroso.
CPI do crime organizado e clima eleitoral
Enquanto o STF finalizava o julgamento, o Congresso Nacional também se movimentava contra o crime. A CPI que apura o crime organizado aprovou a convocação de dois irmãos do ministro Dias Toffoli. Isso ocorre em meio a investigações sobre a empresa Maridit e supostas transações suspeitas. Além disso, foram aprovados convites para ouvir figuras como Paulo Guedes e Roberto Campos Neto. Nesse ínterim, a Câmara aprovou o projeto de lei “antifacção”, endurecendo penas para integrantes de organizações criminosas, embora tenha retirado a taxação das “bets” do texto final.
Paralelamente, o clima eleitoral já se faz presente com força total. Uma nova pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou um cenário de polarização intensa para 2026. Surpreendentemente, o senador Flávio Bolsonaro apareceu tecnicamente empatado com o presidente Lula em um cenário de segundo turno. Esse dado reflete o desgaste do governo e a reorganização da oposição. Em suma, seja nos tribunais com a justiça Marielle Franco, seja no Congresso ou nas pesquisas, o Brasil vive dias decisivos onde crime, política e justiça se entrelaçam.


