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Defesas questionam delações no julgamento do caso Marielle

As delações no julgamento dos acusados de mandar matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram o ponto central dos debates nesta terça-feira. Durante a abertura da sessão na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), as defesas dos cinco réus concentraram seus argumentos em descreditar as versões apresentadas pelos colaboradores. Nesse sentido, o objetivo principal foi apontar supostas mentiras e lacunas nas falas de Ronnie Lessa e Orlando Curicica.

 

De fato, o tom adotado pelos advogados busca demonstrar que não existem provas materiais robustas que corroborem as narrativas dos delatores. Além disso, a estratégia defensiva sustenta que as acusações da Procuradoria Geral da República (PGR) se baseiam excessivamente em testemunhos que, segundo eles, são contraditórios. Portanto, a sessão de hoje serviu como um prelúdio para os votos dos ministros, que devem começar a ser proferidos amanhã.

 

Inconsistências apontadas pela defesa

 

Segundo os advogados, vídeos e documentos expostos no plenário deixam claro que Ronnie Lessa mentiu em diversos momentos de sua colaboração. Por exemplo, a defesa alega que o réu confesso faltou com a verdade sobre sua relação com Cristiano Girão, bem como sobre os detalhes do recebimento e devolução da arma do crime. Ou seja, para os defensores, se um assassino confesso mente sobre fatos cruciais, sua palavra não deveria sustentar uma condenação de tamanha magnitude.

 

Ademais, foi levantada a questão da suposta promessa de pagamento futuro, que também apresentaria incongruências. Consequentemente, a defesa argumenta que os irmãos Brazão, apontados como mandantes, não possuíam motivação real para o crime. Em contrapartida, a acusação mantém que as delações no julgamento são peças-chave que se encaixam no contexto probatório levantado pelas investigações da Polícia Federal.

 

O argumento da motivação política

 

Outro ponto explorado exaustivamente pelas defesas foi a relação política entre Chiquinho Brazão e Marielle Franco. De acordo com os advogados, a tese de que Marielle atrapalhava os interesses fundiários da família Brazão é infundada. Para comprovar isso, foram citados dados mostrando que mais de 90% das votações de Chiquinho e Marielle na Câmara Municipal eram convergentes.

 

Dessa forma, a defesa sustenta que não havia embate legislativo suficiente para justificar um assassinato. Ainda assim, a PGR insiste que o crime foi motivado por obstáculos que a vereadora representava para os esquemas de grilagem e loteamento irregular de terras controlados por milícias na Zona Oeste do Rio. Contudo, os advogados rebatem afirmando que tais projetos eram de autoria do Executivo, e não de iniciativa direta dos parlamentares acusados.

 

A posição da Procuradoria Geral

 

Por outro lado, a Procuradoria Geral da República foi enfática ao defender a validade das provas e a integridade da denúncia. O vice-procurador-geral destacou que os irmãos Brazão lideravam uma organização criminosa estruturada, que utilizava a violência e a corrupção para dominar territórios. Nesse contexto, as delações no julgamento serviriam para elucidar a dinâmica de poder que permitiu a execução do crime e a subsequente obstrução da justiça.

 

Além disso, a acusação pontuou que a influência política dos réus foi utilizada para nomear cargos estratégicos na Polícia Civil, facilitando a impunidade. Consequentemente, a PGR pede a condenação máxima, argumentando que a materialidade dos fatos vai além das palavras dos delatores, encontrando eco em outras evidências circunstanciais e documentais anexadas ao processo.

 

Expectativa para os votos no STF

 

Agora, a atenção se volta para a próxima etapa do julgamento, prevista para a manhã desta quarta-feira. O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, será o primeiro a votar, seguido pelos demais integrantes da Primeira Turma. Naturalmente, a expectativa é alta, visto que o caso se arrasta há quase oito anos sem um desfecho definitivo para os mandantes.

 

Por fim, a família de Marielle Franco, presente no tribunal, reiterou o desejo por justiça plena, mas ressaltou que ela deve ser baseada em provas concretas. Assim sendo, o desfecho deste julgamento não apenas definirá o destino dos réus, mas também servirá como uma resposta institucional à violência política no Brasil. Portanto, o peso das delações no julgamento será medido na balança da mais alta corte do país nas próximas horas.

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