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A definição da chapa majoritária do PL no Rio de Janeiro provocou um verdadeiro terremoto político nesta terça-feira. O senador Flávio Bolsonaro, que atua como principal articulador da legenda no estado, confirmou os nomes escolhidos. Contudo, a decisão não agradou a todas as alas do partido. De fato, o anúncio oficial expôs feridas abertas e gerou mágoas profundas entre antigos aliados. Além disso, a estratégia adotada pelo clã Bolsonaro sinaliza uma aposta arriscada para as eleições de outubro.
Nesse sentido, a movimentação busca consolidar o poder da direita no berço do bolsonarismo. Entretanto, o preço político dessa articulação pode ser alto devido ao chamado “fogo amigo”. A seguir, detalhamos como ficou a composição e os bastidores dessa disputa.
O desenho da chapa prioriza claramente a força eleitoral da Baixada Fluminense. Primeiramente, o candidato ao governo será Douglas Ruas, do PL. Ele é filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson, uma liderança expressiva na região. Em contrapartida, para a vaga de vice-governador, foi escolhido Rogério Lisboa, do União Brasil. Lisboa é prefeito de Belford Roxo e traz consigo um capital político relevante. Ou seja, a união dessas forças visa criar um cinturão de votos na região metropolitana.
Para o Senado, a chapa terá dois nomes de peso. O atual governador, Cláudio Castro, disputará uma das vagas pelo PL. Por outro lado, a segunda vaga ficou com Márcio Canela, também do União Brasil e ex-prefeito de Nova Iguaçu. Consequentemente, essa aliança entre PL e União Brasil tenta isolar a esquerda no estado. O objetivo central é enfrentar a candidatura de Eduardo Paes, que apoia o presidente Lula. Portanto, trata-se de um contra-ataque direto para garantir palanques fortes no Rio de Janeiro.
A escolha dos candidatos ao Senado gerou a maior polêmica do dia. O senador Carlos Portinho, que liderou o governo Bolsonaro no Congresso, esperava disputar a reeleição. Todavia, ele foi rifado das negociações finais em favor de Márcio Canela. Portinho chegou a se reunir com o ex-presidente Jair Bolsonaro para pedir apoio. Infelizmente para ele, o apelo não foi suficiente para reverter a decisão de Flávio. Dessa forma, a frustração ficou evidente nos bastidores da legenda.
Publicamente, Portinho afirmou que sua gratidão é maior que a frustração. Ainda assim, ele deixou claro que “na política não há coincidências”. Em conversa reservada, o senador descartou disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Ele disse textualmente que a Câmara não lhe interessa. Isso demonstra, sem dúvida, o tamanho do descontentamento com a condução do processo. Para muitos analistas, essa rifa de um aliado leal pode custar caro à coesão do grupo.
A entrada de Cláudio Castro na disputa pelo Senado adiciona uma camada de incerteza jurídica. O governador enfrenta um julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Além disso, a relatora do caso já votou pela sua condenação por abuso de poder. Se Castro renunciar para concorrer, o estado pode viver um vácuo de poder. Isso ocorre porque o vice-governador original já deixou o cargo. Consequentemente, não haveria um sucessor natural imediato para assumir o Palácio Guanabara.
Nesse cenário, seria necessária uma eleição indireta realizada pela Assembleia Legislativa. Portanto, abre-se espaço para novas negociações e disputas internas no meio do ano eleitoral. O governador aposta que conseguirá eleger um aliado nesse mandato tampão. Contudo, acordos de bastidor costumam ser voláteis no Rio de Janeiro. Assim, a estratégia do PL no Rio carrega um risco institucional que preocupa diversos setores. A instabilidade política pode, inclusive, prejudicar a própria campanha majoritária.
Além das disputas por cargos, há queixas sobre o comportamento da família Bolsonaro. Deputados do PL reclamam que Flávio Bolsonaro não atende ligações de aliados. Muitos afirmam ser mais difícil falar com ele agora do que na época da presidência. Por outro lado, Carlos Bolsonaro usou as redes sociais para cobrar mais empenho dos correligionários. Ele criticou a falta de publicações em apoio ao irmão. Essa cobrança pública, no entanto, foi muito mal recebida pela bancada.
Os parlamentares alegam que a reciprocidade não existe. Ou seja, eles são cobrados por apoio, mas não recebem atenção das lideranças. Esse “fogo amigo” é perigoso em uma eleição polarizada. Afinal, a unidade do grupo é essencial para enfrentar adversários fortes. Se a desconfiança persistir, o engajamento da militância pode diminuir. Em suma, o clã Bolsonaro precisa pacificar a própria casa antes de pedir votos na rua.
Por fim, a definição da chapa no Rio mostra força, mas também fragilidades. A aliança com o União Brasil é pragmática e poderosa numericamente. Entretanto, as feridas abertas com a exclusão de aliados fiéis podem sangrar durante a campanha. Resta saber se a máquina política da Baixada Fluminense será suficiente para superar as crises internas.