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A captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cília Flores, por forças militares norte-americanas neste fim de semana marcou uma mudança drástica na geopolítica da América Latina. O ditador venezuelano foi retirado de Caracas em uma operação relâmpago, realizada pouco mais de duas horas após a chegada das tropas ao complexo onde ele se encontrava. Imediatamente após a detenção, agentes transportaram Maduro via helicóptero para fora do território venezuelano, levando-o primeiramente ao navio da marinha americana USS Iwo Jima e, posteriormente, de avião até uma base aérea no estado de Nova York. Atualmente, o casal encontra-se detido na cidade de Nova York, aguardando os procedimentos judiciais.
Para que a captura de Nicolás Maduro fosse bem-sucedida, houve um intenso trabalho de bastidores liderado pela CIA. De fato, a agência de inteligência instalou secretamente uma pequena equipe na Venezuela com o objetivo de monitorar a rotina do ditador. De acordo com fontes ouvidas, essa equipe foi fundamental para o sucesso da missão, pois revelou o paradeiro exato onde Maduro dormia. Além disso, a operação contou com um informante infiltrado no regime venezuelano, o que facilitou o rastreamento dos movimentos do alvo.
Por outro lado, o governo americano montou uma equipe de alto escalão para discutir a questão venezuelana. Esse grupo era composto pelo vice-chefe de gabinete Stephen Miller, pelo secretário de Estado Marco Rubio, pelo secretário de defesa Pete Hegseth e pelo diretor da CIA John Ratcliffe. Consequentemente, essa equipe manteve o presidente Donald Trump informado constantemente. Vale ressaltar que, em outubro, Trump já havia autorizado a CIA a operar dentro da Venezuela, sob a justificativa de reprimir o fluxo ilegal de imigrantes e drogas.
Nesse contexto, o ditador venezuelano deve se apresentar hoje a um tribunal em Nova York. A audiência está marcada para as 14h, horário de Brasília. Ele e seus familiares são acusados de utilizar dinheiro do narcotráfico para financiar instituições do país e para benefício próprio. As acusações incluem narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína e posse de metralhadoras. Enquanto isso, na Venezuela, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu como presidente interina. Surpreendentemente, ela adotou um tom de cooperação, afirmando considerar prioritária uma relação respeitosa com os Estados Unidos.
Entretanto, Donald Trump já emitiu novos avisos. O presidente americano ameaçou realizar novos ataques caso o governo de transição não colabore plenamente. Além disso, Trump voltou suas críticas ao presidente da Colômbia, Gustavo Petro, sugerindo que uma operação militar no país vizinho também seria uma “boa ideia”, o que aumentou a tensão na região.
A captura de Nicolás Maduro gerou reações imediatas e divergentes ao redor do mundo. O Conselho de Segurança da ONU reúne-se hoje para discutir a ação dos Estados Unidos, com a participação do Brasil. Embora o Brasil não seja membro permanente, o governo brasileiro pedirá a palavra para condenar a operação. Segundo o Itamaraty, a ação ultrapassou uma linha inaceitável e representa uma afronta à soberania venezuelana. Em contrapartida, especialistas apontam que o evento cria um precedente perigoso para o direito internacional.
Segundo a professora de relações internacionais Flávia Lós, estamos entrando na “morte do direito internacional”, onde potências agem com certeza de impunidade. Ou seja, abre-se espaço para que outros países, como Rússia ou China, sintam-se à vontade para intervir em territórios de seu interesse. Dessa forma, o cenário é de grande instabilidade, pois a ação rompe com garantias anteriormente estabelecidas entre as nações.
Simultaneamente, a situação nas fronteiras reflete a apreensão da população. Na divisa entre Brasil e Venezuela, houve um leve aumento no fluxo de pessoas buscando estocar alimentos e sacar dólares, temendo uma crise de desabastecimento. Do mesmo modo, na fronteira colombiana, blindados militares patrulham a região, embora o fluxo migratório permaneça constante. A população local vive um misto de medo de represálias e incerteza sobre o futuro econômico do país.
Por fim, a questão do petróleo permanece central. Trump declarou que haverá uma gestão sobre o território venezuelano, visando utilizar o petróleo como reembolso pelos custos gerados aos EUA. Contudo, analistas de mercado, como Pedro Côrtes, indicam que a infraestrutura petrolífera da Venezuela está defasada. Portanto, a exploração imediata será logisticamente difícil, apesar de o país possuir as maiores reservas do mundo. O mercado financeiro reagiu com cautela, mantendo os preços do petróleo praticamente inalterados neste primeiro dia útil após a invasão.