O Brasil enfrenta um enorme desafio atualmente. Acima de tudo, o país precisa retomar o desenvolvimento econômico. Consequentemente, o investimento em infraestrutura tornou-se um tópico de urgência máxima. Humberto Rangel, diretor executivo do Sinicon, abordou essa crise recentemente. Ele participou ativamente do programa O Poder em Foco. Durante a extensa entrevista, ele explicou a gravidade da nossa situação. De fato, o país necessita de um choque de gestão. O objetivo principal é extremamente claro e ambicioso. Em suma, precisamos dobrar o estoque nacional de obras.
De antemão, é preciso compreender claramente o conceito de estoque. Ele representa a soma de todos os ativos físicos da nação. Hoje, esse índice brasileiro equivale a 36% do Produto Interno Bruto. Por outro lado, nações desenvolvidas possuem marcas próximas a 60%. Portanto, a nossa defasagem é muito evidente. Além disso, o investimento em infraestrutura anual do Brasil é baixíssimo. Atualmente, ele gira em torno de apenas 2,2% do PIB. Contudo, o cenário ideal exigiria alcançar pelo menos 4%. Dessa forma, conseguiríamos garantir a manutenção básica. Simultaneamente, criaríamos novas obras estruturantes para a população.
O estigma e a superação do setor
Anteriormente, a engenharia nacional sofreu um duríssimo golpe. Operações policiais como a Lava-Jato estigmatizaram severamente as construtoras pesadas. No entanto, a corrupção é claramente um problema sistêmico da sociedade. Humberto Rangel compara a situação a uma doença crônica. Sendo assim, é necessário construir hospitais para tratá-la adequadamente. Contudo, não se pode simplesmente destruir o setor produtivo inteiro. Atualmente, o mercado já superou completamente essa fase sombria. Por isso, as grandes empresas estão totalmente focadas na retomada. Certamente, o investimento em infraestrutura não pode continuar refém de erros passados.
A importância da engenharia nacional
Inegavelmente, a exportação de serviços de engenharia caiu de forma drástica. Nas décadas passadas, o Brasil era um líder internacional respeitado. Ademais, nós exportávamos tecnologia avançada para nações como a China. Hoje, entretanto, o cenário inverteu-se de maneira preocupante. Empresas estrangeiras dominam os grandes projetos dentro do nosso território. Por consequência, nós perdemos muita competitividade no mercado. Diante disso, o governo precisa urgentemente criar políticas de incentivo. Assim, nós conseguiremos reerguer as nossas empreiteiras tradicionais. Afinal de contas, um país forte exige obrigatoriamente construtoras muito fortes.
A busca por recursos e planejamento
Para alavancar de vez o investimento em infraestrutura, a iniciativa privada assumiu o protagonismo. Atualmente, ela já responde por dois terços dos aportes no setor. Por exemplo, nós vemos um boom de concessões rodoviárias e privatizações. O caso recente da Sabesp ilustra perfeitamente esse forte movimento. Todavia, o capital privado busca naturalmente a rentabilidade financeira. Por causa disso, projetos com fins mais sociais acabam sendo negligenciados. Nesse sentido, a participação do Estado continua sendo fundamental. Sobretudo, na área urgente do saneamento básico nacional. Afinal, metade da população ainda carece desse serviço vital.
Os entraves do calendário político
Além das conhecidas restrições financeiras, existe o grave conflito político. Frequentemente, os governantes evitam iniciar obras de longo prazo. Eles preferem projetos rápidos que possam inaugurar ainda em seus mandatos. Consequentemente, o investimento em infraestrutura acaba sendo muito prejudicado. Por essa razão específica, Rangel defende a criação de um planejamento de Estado. Em outras palavras, precisamos de políticas que atravessem diferentes governos. No passado, o Brasil já demonstrou ter essa visão mais ampla. Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek são excelentes exemplos históricos. Hoje, precisamos resgatar essa ambição nacional.
O apagão da mão de obra qualificada
Outro grande obstáculo atual é a severa escassez de profissionais. Atualmente, todo o setor sofre com a falta de mão de obra. Além disso, muitos engenheiros civis preferem migrar para o mercado financeiro. Eles buscam melhores salários e também melhores condições de trabalho. Por conseguinte, as construtoras enfrentam grandes dificuldades para contratar talentos. Embora o Brasil forme anualmente cerca de 40 mil engenheiros, o número é insuficiente. Em contraste absoluto, a China forma dez vezes mais profissionais. Desse modo, o aumento do investimento em infraestrutura torna-se vital. Ele ajudará a valorizar muito a carreira novamente.
A força do Pacto pela Infraestrutura
Diante de todos esses complexos desafios, o Sinicon lançou um movimento. Ele chama-se oficialmente de Pacto pela Infraestrutura. Trata-se de uma grande convocatória para toda a nossa sociedade. A princípio, o objetivo principal é mobilizar políticos, empresários e também a imprensa. Todos precisam entender rapidamente a extrema urgência do tema. Em suma, o documento apresenta um diagnóstico profundo e completo do setor. Em seguida, ele propõe várias soluções bastante práticas. A ideia é estimular um debate muito qualificado durante os anos eleitorais. Sem dúvida, o investimento em infraestrutura deve ser a nossa pauta principal.
O futuro do desenvolvimento brasileiro
Apesar dos imensos gargalos, o clima geral no setor é de otimismo. Rangel acredita fortemente na rápida recuperação econômica do nosso país. Contudo, essa melhora almejada depende de um esforço muito conjunto. Por exemplo, o agronegócio precisa de mais estradas para escoar sua safra. Da mesma forma, a indústria nacional exige energia barata e logística eficiente. Portanto, todos os setores dependem diretamente da construção pesada. Sendo assim, o investimento em infraestrutura atua como um grande motor econômico. Ele nunca é apenas um fim em si mesmo. Pelo contrário, ele é o caminho para alcançarmos a prosperidade.
Perspectivas e ambições para a nação
Para concluir definitivamente, o Brasil precisa recuperar a sua velha ambição. Atualmente, nós somos classificados apenas como um país de renda média. No entanto, nós temos potencial para crescer muito mais. Inegavelmente, a responsabilidade fiscal é uma conquista nacional muito louvável. Todavia, ela não pode ser o único objetivo de um governo atual. Afinal, ela funciona apenas como a temperatura ideal de um corpo saudável. Em resumo, nós precisamos trabalhar duro e gerar mais riqueza. Com o incremento do investimento em infraestrutura, nós alcançaremos as grandes metas. Enfim, o país retomará a rota do crescimento sustentável e bastante inclusivo.


