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A obesidade infantil tornou-se uma das maiores preocupações de saúde pública no Brasil e no mundo. Com o retorno às aulas na Grande São Paulo e em diversas regiões do país, o debate sobre a alimentação dos estudantes ganha força total. Segundo o segundo levantamento do Panorama da Obesidade, que utiliza dados oficiais do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), 33% das crianças e adolescentes de até 19 anos estavam com excesso de peso em 2025. Esse dado alarmante reforça a necessidade de vigilância constante por parte dos pais e das escolas.
De fato, os números globais também assustam. Conforme dados da UNICEF e da ONU, uma em cada 10 crianças entre 5 e 19 anos sofre com a obesidade. Portanto, o ambiente escolar e a rotina doméstica desempenham papéis cruciais nesse cenário. A médica endocrinologista e metabologista Carolina Mantelli destaca que o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados é um dos principais vilões. Além disso, o sedentarismo contribui significativamente para o agravamento do quadro.
Atualmente, a facilidade de acesso a produtos industrializados molda o paladar infantil de forma negativa. Carolina Mantelli explica que alimentos ricos em açúcares e carboidratos refinados são extremamente palatáveis. Consequentemente, as crianças acabam preferindo essas opções em detrimento de refeições saudáveis. Nesse sentido, a formação do paladar ocorre justamente na infância. Ou seja, expor os pequenos a gorduras e açúcares em excesso pode criar hábitos difíceis de serem quebrados no futuro.
Por outro lado, ambientes que não favorecem escolhas saudáveis dificultam o trabalho dos pais. A escola, por exemplo, deve ser um local de incentivo à nutrição adequada. Todavia, muitas cantinas ainda oferecem produtos com baixo valor nutricional. Dessa forma, a responsabilidade recai sobre a educação alimentar iniciada em casa e reforçada no ambiente educacional. O combate à obesidade infantil exige, portanto, um esforço conjunto e coordenado.
Diante desse desafio, a montagem da lancheira escolar torna-se uma tarefa estratégica. Muitos pais têm dúvidas sobre como fornecer energia suficiente para os estudos e brincadeiras sem exagerar nas calorias. A especialista sugere, primeiramente, evitar o excesso de carboidratos simples, como bolachas recheadas e bolos industrializados. Em contrapartida, uma lancheira equilibrada deve conter uma fonte de proteína e um carboidrato rico em fibras.
Além disso, a inclusão de laticínios, como iogurtes naturais, é uma excelente opção. Outro ponto fundamental é a hidratação. A água deve ser sempre a escolha prioritária, substituindo sucos de caixinha ou refrigerantes que contêm muito açúcar. Assim, a criança se mantém saciada e nutrida, sem consumir calorias vazias que levam ao ganho de peso. O objetivo, afinal, não é apenas encher o estômago, mas nutrir o corpo em desenvolvimento.
Nem sempre é possível preparar a lancheira em casa. Nesses casos, a compra de alimentos na cantina escolar exige orientação prévia. A médica recomenda que as escolhas recaiam sobre frutas ou sanduíches feitos com pães integrais. Contudo, é vital evitar refrigerantes e salgados fritos. A escola, nesse contexto, tem a responsabilidade de limitar o acesso a produtos nocivos e oferecer alternativas saudáveis.
Mesmo com a correria do dia a dia, o diálogo com a criança sobre o que comprar é essencial. Afinal, a autonomia alimentar começa com boas orientações. Por isso, explicar o motivo de evitar certas guloseimas ajuda a criar uma consciência crítica no estudante. Dessa maneira, ele poderá fazer escolhas melhores mesmo longe da supervisão direta dos responsáveis.
A luta contra a obesidade infantil começa, invariavelmente, pelo exemplo dentro de casa. Não adianta cobrar da criança uma alimentação saudável se os pais não seguem o mesmo padrão. Carolina Mantelli enfatiza que o consumo de legumes, verduras e “comida de verdade” deve ser um hábito familiar. Portanto, o exemplo dos adultos arrasta as crianças para boas práticas.
Além da alimentação, o estilo de vida da família influencia diretamente. O tempo excessivo de telas e a falta de atividades físicas são fatores de risco. Por outro lado, incentivar brincadeiras ao ar livre e a prática de esportes ajuda a combater o sedentarismo. Assim, a saúde da criança é preservada de forma integral, unindo nutrição e movimento.
Finalmente, é preciso estar atento aos sinais que o corpo da criança emite. O ganho de peso pode, muitas vezes, ser visto culturalmente como sinal de saúde ou fase de crescimento. Entretanto, é necessário acompanhamento médico regular. O pediatra deve monitorar a curva de crescimento e de peso para identificar desvios precocemente.
Sintomas como má qualidade do sono, roncos e cansaço excessivo podem indicar problemas metabólicos. A obesidade na infância é um preditor de doenças crônicas na vida adulta. Portanto, intervir cedo é a melhor forma de prevenção. Consultas regulares e exames de rotina são, dessa forma, ferramentas indispensáveis para garantir um futuro saudável para essa geração.