Caracas, Venezuela – O presidente Nicolás Maduro anunciou que as comemorações de Natal na Venezuela começarão mais cedo este ano. A data de início será 1º de outubro. A declaração, no entanto, ocorre em um momento de máxima tensão geopolítica. Atualmente, navios de guerra dos Estados Unidos estão posicionados perto da costa venezuelana.
Este é o segundo ano consecutivo que o governo adota a medida. Segundo Maduro, o objetivo é defender o “direito à felicidade e à alegria” do povo venezuelano.
O Anúncio e a Justificativa
Com músicas natalinas ao fundo, Maduro afirmou que a antecipação do Natal é uma forma de promover o comércio e a cultura. “Ninguém e nada neste mundo tirará nosso direito à felicidade, à vida e à alegria”, declarou o presidente.
Contudo, a medida não é inédita e costuma coincidir com períodos de crise. Em 2024, por exemplo, o Natal também foi antecipado enquanto o governo prendia opositores. A antecipação também ocorreu em 2020 e em 2013. Por isso, analistas veem a estratégia como uma tentativa de desviar o foco dos problemas do país.
Cenário de Ameaça Militar

O anúncio de Maduro acontece em um contexto de forte escalada militar na região. Os Estados Unidos deslocaram uma grande frota naval para o Caribe. A frota inclui um esquadrão anfíbio, um submarino nuclear e cerca de 4.500 militares.
O governo norte-americano justifica a ação como parte de uma operação contra o “narcoterrorismo”. Além disso, os EUA acusam Maduro de liderar o suposto “Cartel de los Soles” e oferecem uma recompensa por sua captura. A Casa Branca afirmou que usará “toda a força” contra Maduro, e a imprensa americana não descarta uma futura invasão.
Risco de Conflito é Real?
Analistas avaliam que a força militar enviada pelos EUA é desproporcional para uma simples ação contra o tráfico. Um esquadrão anfíbio, por exemplo, é projetado para invasões terrestres.
Maurício Santoro, doutor em Ciência Política, avalia que a situação é séria. “Não é simplesmente um blefe. Há preparação para algum tipo de intervenção militar”, disse. Para ele, um bombardeio é uma possibilidade real.
Enquanto isso, o governo venezuelano classifica a movimentação como uma “ameaça direta”. O país tem, inclusive, mobilizado suas próprias forças militares para se defender de um possível ataque. O clima, portanto, é de grande incerteza na região.