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Surfistas em menor número nas praias após ocorrências com tubarão

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De todos os 65 incidentes com tubarões nos últimos 26 anos, os surfistas protagonizam, praticamente, a metade deles – um total de 32 casos, segundo as estatísticas do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit). Esse cenário é reflexo do quanto o medo de ser vítima algum dia parece ser algo distante para eles.

Mas, no domingo (10), a Folha de Pernambuco voltou aos pontos de praias do Cabo de Santo Agostinho (entre o Paiva e Itapuama) visitados na última quinta-feira (7) e trazidos na edição do último fim de semana (9 e 10) do Folha Mais, e, curiosamente, a concentração de surfistas se limitava apenas à praia de Itapuama – e, ainda assim, eram poucos.

Geralmente, essas praias são elencadas como as mais procuradas, principalmente aos fins de semana, por oferecerem as melhores ondas para a prática do surf, embora elas estejam inseridas na faixa dos 50 quilômetros de risco de ataque de tubarão.

Surfando há sete anos no mesmo trecho de Itapuama, Juliana Gomes, 30, não se diz intimidada. “Sempre surfei aqui e nunca vi nada. O único problema para os banhistas são as valas e correntes de retorno, o que para a gente é ótimo. Mas, em relação a tubarão, nunca teve problema”, afirma. Embora a reportagem tenha constatado uma presença tímida de surfistas na praia de Itapuama, a pergunta que fica é o porquê de os esportistas continuarem com uma prática que é proibida por meio do decreto estadual 18.313 de janeiro de 1995.

A justificativa, segundo os guarda-vidas entrevistados pela equipe, é que, ao contrário do Grupamento de Bombeiros Marítimos (GBMar), do Corpo de Bombeiros, a corporação que atua nas praias do Cabo não tem poder de polícia. Segundo eles, essa restrição é um dos empecilhos para uma fiscalização mais incisiva, com o confisco das pranchas – versão esta conflitada pela gestão municipal. Em nota, a Prefeitura do Cabo afirmou que “os salva-vidas podem impedir, sim, a entrada de surfistas nas áreas de incidência, inclusive confiscando a prancha e, em caso extremo, solicitando a presença da polícia militar”.

No entanto, ao ser perguntada se tomariam medidas mais efetivas para proibir os esportes náuticos no Paiva, Itapuama e Enseada dos Corais, por exemplo, a gestão informou que, por ora, não é possível responder sobre isso. Mesmo sendo algo não constatado pela Folha, a prefeitura afirmou que um total de dez profissionais atuam no trecho que compreende Itapuama e Paiva, aos fins de semana e feriado – mas, a reportagem avistou apenas dois durante a matéria.

E nenhum deles usava Shark Shields, o aparelho repelente de tubarões. Sobre isso, a prefeitura esclareceu que “realizou, este ano, licitação para a compra de materiais de salvamento aquático, inclusive das tornozeleiras repelentes, contudo não surgiu propostas. Nova licitação está em andamento”. Enquanto novos aparelhos não são incorporados ao trabalho dos guarda-vidas do Cabo, o monitoramento é feito com apitos, jet ski e quadriciclos.

   Banhistas receosos evitaram o mar

Após a última ocorrência com tubarão, na qual morreu o capoeirista José Ernesto Ferreira da Silva, de 18 anos, após ser mordido no trecho da praia de Piedade, na altura da igrejinha, uma coisa é certa: as pessoas ficaram com receio de entrar no mar. A Folha deu um giro nos quatro pontos, entre Piedade e Boa Viagem, que receberam reforço na fiscalização a partir desse fim de semana.

O incremento aconteceu nos pontos em que houve maior número de ataques: diante da Igrejinha de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes; e em três trechos da Praia de Boa Viagem, no Recife – em frente ao Castelinho, Edifício Acaiaca e no 2º Jardim. Nesses locais, os salva-vidas passam a ficar em dupla até as 18h, uma ho­ra a mais do que atualmente – a­lém dos postos fixos de observação.

Entre os principais apelos das autoridades para evitar novas ocorrências está a obediência às sinalizações e aos guarda-vidas pela população. Mas, apenas na Igrejinha de Piedade, três banhistas aparentemente embriagados insistiram em entrar no mar, mas foram imediatamente retirados pela corporação. “Esses foram os únicos que insistiram em pôr a vida em risco. A gente orienta as pessoas para o próprio bem delas e ainda somos xingados e recebemos gestos obscenos. No mais, as pessoas não entram no mar”, afirmou o 2º sargento do GBMar que atua em frente à Igrejinha de Piedade, Joseano Emídio de Oliveira.

Em Boa Viagem, o cenário foi o mesmo nos três pontos. Ninguém quis saber de entrar no mar. O máximo que era possível ser visto eram poucas pessoas com a água até o joelho para se refrescarem, mas o contato com o mar era muito rápido. “Antes, eu tomava banho com a água no pescoço. Agora, se chega no joelho, é muito. Hoje em dia, entrar no mar é pedir para morrer”, disse a banhista Josabe Batista, 48.

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